
Já notou como as diferenças podem igualar duas pessoas? Já notou como o fator distância é capaz de aproximar duas pessoas? Já notou como a inimizade pode unir duas pessoas? Já notou como o ser humano é contraditório? Às vezes, sem que percebesse, fui antagônica, indecisa e indecifrável, principalmente quando se fala em relacionamentos. Usei justamente aquilo para o que apontei o dedo, para tomar por motivo de me aproximar do abismo de onde queria saltar. Digo abismo, como diria recriminação. O que eu, precisava, era aprender que nada está totalmente distante de mim mesmo e que em algum momento, passaria por todas aquelas situações as quais tinha mais asco e repugnância. Precisei aprender que a vida me trará alegrias e tristezas e que é inevitável viver cada um dos momentos que a mim é oferecido quase que como uma imposição. Precisei me acostumar com idas e vindas, não só dos outros, como as minhas também e perceber que se alguém está em meu coração, não existe ausência total de tal pessoa. Embora hoje eu acredite nisso, costumo vez ou outra voltar para trás, olhar os erros e acertos e me prender na nostalgia. Quando me pego pensando naquilo que a tempos me conquistou da forma que seria considerada a mais suja, me ponho no centro, como num julgamento, mas não exatamente para condenar as atitudes tomadas em torno daquilo, e sim, pra amadurecer com as minhas opiniões e aprender com o que passou. Hoje, eu procuro construir a felicidade desconstruindo medos e iseguranças que já me embalaram nos braços, e me amarraram as mãos. Qualquer forma de bem estar é válida, e plenitude é um privilégio de poucos. À partir do momento em que resolvi seguir meu coração sem me prender a aspectos fúteis e taxativos da sociedade, me senti numa liberdade que me prende a razão e à sensatez. Por isso com o tempo eu aprendi a lidar com a falta do que não me faz tanta falta. Joguei fora os desperdícios que deixei acumular por onde passei e por quem convivi. Revi minas prioridades e me livrei sem medo daquilo que me saturou e que eu achava certo. Deixei apenas o que é essencial de fato. Vivo pra respirar felicidade. E um dia, isso acontecerá com você, se já não aconteceu. Lógicamente, não com as mesmas experiências e percepções que eu, afinal, cada um é cada um e sabe exatamente o que é motivo de sorrir.
Esse texto foi redigido com base quase total no texto de Bruno Baptista, meu homenagiado.